Meu desejo é chegar ao Hades.
Entregarei a Caronte o óbulo de minha passagem e poderei enfim ver frente à frente a face doce de Perséfone, que me sorri e diz-me que sou bem-vinda. Anseio pelas águas do Letes, que sorvidas com sofreguidão, dar-me-ão o doce esquecimento.
Desejo a paz dos Campos Elísios, onde tudo e nada não se diferem, onde sentir e não sentir são apenas duas faces da mesma moeda, onde presente, passado e futuro se misturam em caleidoscópio que não permite diferenciar o que foi e o que poderia ter sido.
Anseio por Anúbis, que delicadamente ensinar-me-á o caminho. Trarei em minha língua os nomes sagrados que me permitirão chegar ao meu julgamento e recitarei a Maat as 42 confissões negativas que me justificarão junto a Osiris.
Direi que meu coração agora sim é leve e que deixei atribulações onde elas devem ficar: em um outro mundo.
Sentar-me-ei entre as estrelas do corpo de Nuit e deixar-me-ei ficar em meio às bem-aventuranças, esquecida da dor e da ânsia, das palavras e do silêncio, da presença e, ainda, da ausência.
E, enfim, deixarei que de mim digam: finalmente descansa em paz.
domingo, 7 de outubro de 2007
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